quarta-feira, 12 de março de 2014

Submarino HMS Seal

O Seal (1938-1.520 t) foi um dos seis submarinos lança-minas da classe Grampus que serviram na Marinha Real.
Ele foi iniciado em 09 de dezembro de 1936, lançado ao mar em 27 de setembro de 1938 e comissionado em 24 de maio de 1939.
No dia de seu primeiro mergulho, 1º de junho de 1939, chegou a noticia da perda do Thetis (1938-1.090 t) quando ele era submetido a ensaios em Liverpool, um revés pessoal para a tripulação que perdeu muitos amigos.
Dias depois, o Seal (N37) foi deslocado para Gosport para completar os testes com torpedos.

CARREIRA
No dia 04 de agosto, ele zarpou para a China em companhia do Grampus e do Rorqual, via Gibraltar, Malta e Canal de Suez. No entanto, com o início da guerra ele se deteve em Aden, onde realizou duas patrulhas observando as forças neutras italianas. Depois, voltou para casa escoltando um destróier avariado no Mediterrâneo. De volta ao Mar do Norte, fez uma surtida ao Banco Dogger quando foi atacado pela primeira vez por um avião alemão.
Numa noite de fevereiro, ele embarcou soldados armados destinados a abordar o navio alemão Altmark (1938-7.921 t). Entretanto, ele não se envolveu diretamente na captura do cargueiro.
No fim de março, com a eminente invasão nazista da Noruega, operou ao largo da costa escandinava. Seu comandante, tenente Rupert P. Lonsdale decidiu entrar num fiorde e chegar ao porto de Stavanger. Era uma operação perigosa que o obrigou a utilizar o ASDIC. Havia quatro navios mercantes no porto, todos com bandeira de países neutros. Devido a isso, Lonsdale decidiu atacar uma base de hidroaviões e desembarcar uma equipe para sabotar a ferrovia, mas o calado do porto era pequeno para o uso de torpedos, impedindo a operação. A tripulação voltou decepcionada para Rosyth, escapando de um a ataque a torpedo no mesmo lugar em que o submarino Thistle (1938-1.090 t) seria perdido, em 10 de abril.
O Seal foi destacado para semear minas no lugar de seu irmão Cachalot, que fora avariado. A operação DF-7 tinha como objetivo o estreito Kattegat, entre a Dinamarca e a Suécia, perto da ilha sueca Vinga, na rota dos transportes alemães para a Noruega. Era uma tarefa particularmente difícil, especialmente para um submarino do tamanho do Seal. O capitão Bethall, comandante da flotilha não conseguiu convencer o almirante Horton a reconsiderar suas ordens. No dia 29 de abril, o Seal deixou Immingham carregando 50 minas Mk XVI. Ao entrar no estreito Skagerrak reconheceu o submarino Narwhal deixando a área com as defesas alemãs alertas depois de ele lançar seis torpedos. À 1h00 da madrugada de 05 de maio de 1940, o Seal chegou ao estreito na superfície enquanto carregava suas baterias. Às 2h50, surgiu um hidroavião Heinkel He115 que o atacou, avariando-o levemente, enquanto mergulhava, provocando ferimentos em dois tripulantes. Quinze minutos depois, ao largo da ilha Vinga, ele começou a lançar as minas que transportava, em profundidades variadas, terminando a tarefa depois das 8h00. Meia hora depois, enquanto se retirava rumo ao norte apareceu um barco patrulheiro alemão, que o obrigou novamente a submergir. Para escapar a investida ele alterou o curso para noroeste em diferentes profundidades. Entretanto, sua trajetória levou sua popa a bater em uma mina de um campo minado desconhecido, que explodiu. Estranhamente a explosão não atraiu a atenção dos barcos alemães. Com seu compartimento de popa inundado ele afundou e ficou preso no lodo do fundo, numa profundidade de 30 metros. Nas horas seguintes, seu comandante tentou emergir várias vezes liberando 11 toneladas de lastro. Ele conseguiu chegar à superfície na quinta tentativa e com uma inclinação de aproximadamente 10º, navegou em direção as águas suecas, sem ter mais a capacidade de submergir. Com suas baterias principais comprometidas todas as bombas e os sistemas vitais auxiliares ficaram sem energia. Como cautela toda a documentação confidencial foi jogada ao mar e o ASDIC foi destruído.
Um assunto sério de preocupação eram as duas cargas de profundidade montadas nos porões para inutilizar o submarino em caso de ameaça inimiga, programadas para explodir a 50 pés, quando o barco fosse inundado.
CAPTURA
Nas primeiras horas do dia 05, dois hidroaviões Arados Ar196 (segundos tenentes Günther Mehrens e Karl Schmidt) decolaram de Aalborg, rumo ao Estreito Kattegat. Mehrens avistou a torre do submarino incapaz de mergulhar com a proa fora d’água e a popa submersa, rumando para a neutra Suécia. Ele disparou seus canhões de 20 mm e em seguida fez sinais com uma lanterna sinalizadora, emitindo a letra K, que em linguagem marítima internacional quer dizer detenha-se imediatamente. Na seqüência, pediu a identificação de sua nacionalidade. Na torre do submarino, que era o Seal, Lonsdale ordenou a um marinheiro que transmitisse sinais ininteligíveis, tentando ganhar tempo.
Mehrens subiu para mil metros e informou o fato a base. Pouco tempo depois, realizou mais dois ataques lançando duas bombas de 50 kg sem sucesso. Foi quando o hidroavião de Schmidt chegou ao local e despejou mais duas bombas. A segunda explodiu muito perto do casco do Seal, que começou a emitir um S O S. enquanto se movia desesperadamente. Com os danos, o segundo motor diesel do submersível parou de funcionar, enquanto a sala de máquinas também era inundada. Como conseqüência, o comandante mandou que se içasse uma bandeira branca. Schmidt então amerissou e negociou a rendição do submarino.
 Nesse meio tempo, um He115 que voltava de um vôo de escolta a um comboio assistiu ao fim do drama. Foi quando o Ar196 de Mehrens amerissou e embarcou o comandante Lonsdale, levando-o ao comando da esquadrilha do Grupo Costeiro 706, em Aalborg, aonde chegou às 5h00. Mas antes disso, às 4h40, um avião bimotor não identificado apareceu no horizonte. Quando um dos Arados ia atacá-lo, ele soltou uma bomba próxima do submarino e depois voou na direção da Suécia. Este provavelmente era um bombardeiro Ju86 sueco, que fora atraído pela aglomeração.
No caminho de regresso, Mehrens encontrou a traineira Franken, que fora transformada no caça-submarino UJ128 e, sob o comando do tenente Otto Lang, patrulhava a região. Informada do episódio, ela alcançou o local às 6h30, embarcando a tripulação do submarino e rebocando-o para Frederikshaven, na Dinamarca.
Apenas um dos 54 tripulantes feitos prisioneiros morreu no cativeiro.
 Dias depois, o submarino foi conduzido ao estaleiro Germânia de Kiel, pelo rebocador Seeteufel, aonde chegou no dia 11, sendo então reparado. Ao examinarem a embarcação os alemães ficaram impressionados com o conforto de suas acomodações.
Em novembro, o Seal foi incorporado à marinha alemã, recebendo a designação UB. Seu comando foi entregue ao veterano capitão de corveta Bruno Mahn, de 52 anos, que foi o mais antigo comandante dos submarinos alemães no conflito. Na Primeira Guerra Mundial ele se destacara ao comandar o UB21. Operacionalmente o UB tinha valor limitado para a Marinha alemã, exceto para uso em treinamentos e propaganda.
No ano seguinte, em 31 de julho, o UB teve vários de seus equipamentos removidos para estudos.
As minas plantadas por ele afundaram quatro embarcações: o pequeno barco sueco Aimy em 05 de maio, o cargueiro alemão Vogesen (4.241 t) em 06 de maio, o navio sueco Torsten (1.206 t) em 28 de maio e o mercante sueco Skandia (1.248 t) em 05 de junho.
O maior ganho da captura do Seal foi à constatação de que o mecanismo de disparo dos torpedos britânicos era superior ao germânico, levando ao aperfeiçoamento dos modelos alemães.
No fim da guerra, em 03 de maio de 1945, ele acabou sendo metido a pique na baía Heikendorf, no mesmo ataque que afundou o cruzador Admiral Hipper (1937-13.900 t). Seu casco foi posteriormente posto a flutuar e desmontadado.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Construção: Estaleiro Chatham Dockyard (UK)
• Classe: Grampus
• Tipo : Submarino mineiro
• Iniciado: 09 de dezembro de 1936
• Lançado 27 de setembro de 1938
• Comissionado: 24 de maio de 1939
• Deslocamento : Área: 1.520 t / 2.157 t
• Dimensões: Comprimento total de 89 m, largura de 7,77 m e calado de 5,13 m
• Propulsão: Dois motores diesel com uma potência de 1.650 hp cada um e dois motores elétricos com uma potência de 815 hp cada um, movimentando duas hélices com três pás
• Velocidade: 16 nós na superfície e 8,7 nós imerso
• Autonomia: 6.500 milhas a 10 nós e 4.950 milhas a 
14,7 nós. Ele alcançava 7.600 milhas com a propulsão diesel elétrica juntas a 10 nós
• Capacidade de combustível: 138.000 kg
• Sistemas de Baterias: 3.112 células do tipo MI 33 com capacidade para 4.560 ampéres / hora.
• Profundidade de imersão: 60 m em operação e 120 m limite máximo
• Tempo de submersão: mergulho de emergência de 45 a 130 segundos


• Armamento: Seis tubos lança-torpedos de 533 mm na proa, com doze recargas e capacidade para 120 minas, além de um canhão de 105 mm e duas metralhadoras
• Tripulação: 59 homens
No início de janeiro de 1940, o Seal, pertencia à frota de submarinos da Marinha Real, com sede em Rosyth (Escócia), começando a realizar tarefas de escolta de comboios e patrulhas ao longo da costa norueguesa. Em 29 de abril de 1940, o Seal semeava um campo minado perto de Goteborg (Suécia), cuja presença era conhecida dos alemães, sendo detectado e atacado em 03 de maio de 1940 por hidroaviões alemães, incapazes de alcançá-lo. Mas no dia seguinte ele foi novamente encontrado (quando ele retornava para sua base), por um grupo caça-submarinos alemães da 12ª Flotilha Anti-Submarino. O Seal tentou escapar de seus perseguidores por 8 horas, mas finalmente foi danificado, de modo que o comandante do submarino, tenente Lonsdale, rendeu-se e foi capturado pelo UJ128, que vasculhava a região.
Levado inicialmente para Friederickshaven onde recebeu reparos de emergência para torná-lo navegável, continuou o percurso para Kiel. , aonde a tripulação foi interrogada antes de ser enviada para um campo de prisioneiros.
combate com o inimigo e entrega da belonave, sendo honrosamente absolvido dessas acusações.
O submarino tinha pouco valor como equipamento militar para a Kriegsmarine, por isso foi usado principalmente como propaganda e na formação de tripulações. A Krupp adiou alguns reparos até meados de 1942, mas logo viu que os custos eram exorbitantes, pensando desmantelá-lo em 1943 e abandonando o casco em um canto do estaleiro em Kiel. Em 1945, ele foi atingido por fogo amigo durante um bombardeio, o mesmo que afundou o cruzador pesado Admiral Hipper (1937-13.900 t), e afundou. A única coisa relevante que os alemães obtiveram com a captura do submarino foi a obtenção de torpedos e os sistemas de tiro Ingleses, que levaram ao aperfeiçoamento dos torpedos da Kriegsmarine. 

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